O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) alcançou mais de 5 milhões de visualizações em poucas horas com um vídeo publicado em suas redes sociais na quinta-feira (3), no qual defende a anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A proposta, que tramita no Congresso Nacional, ganhou destaque após o parlamentar citar o caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, acusada de escrever “perdeu, mané” em uma estátua do Supremo Tribunal Federal (STF) durante os protestos.
No vídeo, Ferreira contesta informações sobre o processo contra Débora, que pode ser condenada a até 14 anos de prisão por dano ao patrimônio público e invasão de prédio federal. “Há distorções na narrativa sobre seu caso. Precisamos de justiça, não de perseguição política”, afirmou o deputado, sem detalhar quais alegações considera equivocadas.
Ferreira convocou simpatizantes a participarem de um ato em apoio ao projeto de anistia no próximo domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo. “Vamos mostrar que o povo não aceita a criminalização de quem protesta”, declarou. O vídeo, republicado em perfis aliados, gerou reações polarizadas, com críticos acusando a iniciativa de “minar a responsabilização” pelos danos causados em 2023.
Contexto: Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram sedes dos Três Poderes em Brasília, em protesto contra o resultado das eleições presidenciais. Até agosto de 2024, mais de 1.500 pessoas foram denunciadas, com penas que variam de multas a 17 anos de prisão.
Repercussão
A proposta de anistia, apresentada por um grupo de parlamentares governistas e oposicionistas, divide opiniões no Legislativo. Enquanto defensores argumentam que “punições excessivas inflamam divisões”, opositores afirmam que a medida “recompensaria violência política”. O STF já se pronunciou contra iniciativas semelhantes, reiterando que os atos configuraram “ataque à democracia”.
O caso de Débora Rodrigues tornou-se símbolo da disputa narrativa. À época dos protestos, imagens mostravam a frase escrita na estátua do ex-ministro do STF Ayres Britto, instalada no exterior do tribunal. A defesa da cabeleireira alega que ela “não participou de depredações”, mas a PGR sustenta que o ato foi “intencional e político”.
Próximos Passos: O ato na Avenida Paulista será monitorado pela Polícia Militar de São Paulo, que ainda não divulgou estimativa de público. Enquanto isso, a proposta de anistia aguarda designação de relator na Câmara dos Deputados. Assista: